Yeah, yeah…

Mas por enquanto dê uma olhada nisto aqui:

Rural Architecture

“Being a Complete Description of Farm Houses, Cottages, and Out Buildings”

JP

Published in: on December 15, 2007 at 1:01 pm  Leave a Comment  

Eu prometi e não cumpri, ainda.

Enquanto isso, mais um snipped, de interesse, fica de consolo. É sobre dos chamados jardins Tudor que aparecem na chamada literatura Tudor (século 16).

“The opening sentences of Bacon’s essay Of Gardens, ‘God Almighty first planted a garden: and indeed it is the purest of human pleasures. It is the greatest refreshment of the spirits of man’, echo the Book of Genesis: ‘And the Lord God planted a garden east-ward in Eden; and there he put the man whom he had formed’. We might say that gardening was in fact Man’s first work. And Woman’s also; according to John Milton in Paradise Lost, Eve was actually gardening – tying up roses – when the Serpent came upon her: ‘…the roses bushing round/About her glowed, oft stooping to support/Each flower of slender stalk, whose head though gay/ Carnation, purple, azure, or specked with gold,/Hung drooping unsustained, them she upstays/Gently with myrtle band…’”

Acho que isso tá no site da RHS (Royal Horticultural Society). Vou checar e coloco o link de acordo.

Published in: on December 14, 2007 at 7:19 pm  Leave a Comment  

Okay, this is classic (um tico singelo demais, mas) by Emily Dickinson, sent by a reader… e isso significa que, yes, temos leitores!

Some keep the Sabbath going to Church,
I keep it staying at Home -
With a bobolink for a Chorister,
And an Orchard, for a Dome.

_____

Release #2.1.1 coming up tomorrow, I think.

Published in: on December 13, 2007 at 5:11 pm  Leave a Comment  

Okay, this is classic (um tico singelo demais, mas) by Emily Dickinson, sent by a reader… e isso significa que, yes, temos leitores!

Some keep the Sabbath going to Church,
I keep it staying at Home -
With a bobolink for a Chorister,
And an Orchard, for a Dome.

_____

Release #2.1.1 coming up tomorrow, I think.

Published in: on December 13, 2007 at 5:07 pm  Leave a Comment  

Notes and quotes, followed by #2.1

• Alright, alright! But this is, however, only a garden, and of a virtual nature, for Christ’s sake! I happen to know the gardener personally and will assure you he is the most harmless man I have ever met. He now lives in a hole and gets to eat a whole meal once every few days, if that. He is also probably seriously ill by now. He has got a primeval fear of being exposed and thus possibly harm the only person (a little one, and who knows nothing of this) he has left in the whole wide world. And, by Jove, the man works for free! I don´t believe things could get any worse for him if he doesn´t happen to get any feedback.

• A few gardening quotes followed by garden itself, about to undergo major renovation:

A second enclosure, surrounded by a fence, comprised a fruit-orchard,
a garden decorated with figures wrought in bright-hued flowers, an
arbour with several bowers, and a mall for the diversion of the
pages. On the other side were the kennel, the stables, the bakery, the
wine-press and the barns. Around these spread a pasture, also enclosed
by a strong hedge.

Then she walked in the garden, read a little, and in this way managed to fill out the emptiness of the hours.
Flaubert, G., THE LEGEND OF SAINT JULIAN THE
HOSPITALLER

The morning dawns with an unwonted crimson, The flowers all odorous seem, the garden birds Sing louder, and the laughing sun ascends The gaudy earth with an unusual brightness;
All nature smiles.
Cesare Borgia (trans. by Pope?)

Enjoys his garden and his book in quiet;
And then—a perfect hermit in his diet.

Pope, A., An essay on man

#2.1

O jardim:
For Herbs, Flowers and Friends
8-9m de diâmetro.

As plantas
O meio fica mesmo vazio, ninho para um banco e chão de tomilho, esparramado (libera (flagrância) aroma quando pisado), geometricamente dividido entre Thymus vulgaris (flor branca) e serphylum (flor rosa). O contorno externo é delimitado com sobras de granito e mármore, de cores afins, fincados no chão (grama). Ruído sutil de água. A partir do extremo mais próximo da cozinha: orégano, sálvia erva (officinalis) flor branca (albiflora), sálvia flor (vermelha), artemísia, basílico (folha larga, deixar florir), coentro (alguns floridos), pimenta comari, begônias, gengibre (sempre com algumas plantas bem altas), rosa amarela gigante (planta mais baixa e “encopada” possível), rosa vermelha, talvez púrpura, grande, diametralmente oposta, alho (a.k.a., “the stinking rose”, therefore planted next to its peers) de variedade roxa grande (flor também arroxeada), seguido de alho caipira (pequeno, com flor pequena, branca), camomila (um exagero delas), pimenta malagueta, basílico de folha roxa, begônias roxas, interpolated. Menta, hortelã e alyssum branco, intercasados. Funcho. Quatro ou cinco plantas de tomate cereja em cachos. Lavanda quase em descontrole. No extremo oposto, o maior pé de alecrim do mundo (deixar florir).

O banco
De madeira re-utilizada e/ou sem tratamento, porém ergonômico. Quase 4m. Numa extremidade dois indíviduos sentados (um em pé?), olhando um para o outro (e.g., armações de ferro de manequins antigos, figuras de concreto, quetais), codinomes Paula e Bebeto (qualquer maneira só vale a pena se a alma não for pequena). Lembrança de velhos amigos, quaisquer. Dia ido, quase.

A água
Um relâmpago silencioso no céu dispara outra faísca no cérebro da leitora sob o crepúsculo. Essa água, a despeito das tantas tentativas irracionais de domá-la, continua correndo teimosa… Hum. Aí, uma pequena epifania: será que…? Sim, aproveitando as pedras do leito original da nascente, uma pequena piscina toma forma, dois, tres metros, até a parede da estufa. Sim, uma estufa de vidro, dez metros talvez, com plantas (you don’t say) e bancos e duas cadeiras e pedras e warmth e chão de grama miúda, seixos, madeiras, e…água cruzando toda sua extensão. Euforia de Eureka dura pouco, quando percebe que a construção ficaria perigosamente próxima da sala de estar. Bummer. Humpf. Mas, claro, que todos então se conectem… A estufa funciona como jardim de inverno, duh, com o córrego running right throught it, invadindo a sala, por baixo! Dois metros para dentro e para o fundo, quem sabe: molhar os pés, ficar olhando, tomar banho em meio a flores, ervas e frutas flutuantes, imaginar coisas e… acessar – pela água, by Jove, pela água! – o jardim de ervas sob o imenso sol, do outro lado. Não e não, isso não: trutas não. Não? Sim-quem-sabe, e pronto.
No outro extremo do banco, AA abaixa o livro—pouca luz, equilibra cuidadosamente a taça no encosto (como se a mancha imaginária não deixasse o móvel ainda mais… agradável). Olha mais uma vez para os bonecos. Impossível nessa hora é se isolar dos últimos piados, das flagrâncias, do silêncio imperfeito do vento. Tenta imaginar a mesma cena percebida de dentro da estufa, da sala. O derradeiro belisco de luz, mas ainda é possível ler o último aforisma (sem contexto algum, mas quem se importa) do Tractatus, gravado no assento do banco — 7. What we cannot speak about we must pass over in silence.

A cozinha de fora
Na cozinha além da varanda, enquanto isso: ele murmura consigo tolices desconexas, quase melódicas, enquanto caça lenha mais grossa para fazer crepitar o fogo. (“Bom trabalhar aqui!”) É hora. Saca a descomunal frigideira de ferro, presente da Amélia Adelaide, e a dispõe caprichosamente na boca maior. Esvazia uma enorme taça de Gato Preto enquanto observa as batatinhas descascadas no pequeno caldeirão: excelentes, só entornar a água quente e deixar que sequem ali fora, solitas na peneira. Cantarola para si mesmo “Eleanor Rigby”(sp?), ensaiando um passinho rídiculo enquanto se apodera do litro-e-meio de azeite super-arqui-extra-virgem. Ops. Generosa, quase trapaceira porção de azeite na frigideira já quentinha. Um punhado de alho ligeiramente amassado (com o lado do cutelo). Nossa. Enormes cebolas ferventadas de véspera, agora docinhas, se seguem, precedendo assim os tenríssimos talos de brócolis. A refoga já começa a elicitar aromas ocultos.
Limpa as mãos no avental que ele mesmo confeccionou, yes sir, com o resto da fazenda de algodão que sobrou dos lençóis, cama e cozinha, ê, óóó… Arrisca umas poucas linhas de “Um bel di vendremo”:
… m’ha promesso di ritornar nella stagion beata che il petirosso rifà la nidiata…
emulando Callas de ‘57. Ri de si mesmo, insólita e repentina felicidade. Uma espiada na direção do jardim: ela ainda lê, ele ainda tem tempo, mas agitos e fumaças já a teriam alcançado, talvez? Sorri. Percebe o vento, olha para o céu: virá a chuva, em modos de quando as estações se acasalam.
Duas mãozadas de folhas de mostarda, grosseiramente picadas. Epa, azeite nunca se economiza, ensinava mestre Antilóquio, então… Olha a sálvia picadinha, as florescências do alecrim. Misturando com colher de pau, frigideira de 4 toneladas, bounces in the air, pra lá e pra cá. Agora, só as flores cruas do brócolis, um montão delas, vão lá se juntar. Mexe-remexe, remexe-mexe. Sal, um pitadícula de açúcar mascavo. No meio-tempo a pequena panela de ferro foi preenchida com dois dedinhos de pura manteiga, já quaaase quente, hora de jogar as batatinhas, não sem antes amassá-las com os punhos (ri, pela duocentésima vez na vida, de como isso é chamado em Portugal). Roubar um fio, hey, ô, um fio só, sô, da manteiga que frita as batatas. Ah, agora, sim, a hora: várias, muitas fatias, nem assim tão finas, do mais tenro rosbife, são colocadas com na frigideira com os movimentos de quem veste um recém-nascido. Um minuto e… Oooolêpa, meu! Retira tudo do fogo, direto pra mesa de pedra, acrescentando poucas folhas enormes de basílico, inteiríssimas, com um mínimo de estética, pela-mor. As batatolinhas são escorridas com capricho, cada uma enxuta com pano de algodão puríssimo, e trapiscadas com óregano seco, óregano fresco, pimenta calabresa desidratada e, hum, será, um tico de azeite, talvez? Onde estarão os cubinhos de pão-de-queijo torrado? (“Puta meu, esqueci da salada!”)

A fome
Da casa vem um cheiro suave, reminescente, de batata frita, outras coisas. Na varanda uma mesa comprida, sendo posta numa das pontas, para poucas pessoas. Quantas serão… Ela já não consegue ver. Da cozinha quase invisível na penumbra, uma voz rompe o quadro, sem rasuras, por entre os barulhos de louça, vidro, talheres: “Está quase. Logo começo a servir.”

A salada (coming soon)

A horta (idem)

O brunch avec trutas (idem, ibidem)

O pomar

O almoço das 3

A mata

O chá da tarde

A penúltima ceia

Published in: on December 10, 2007 at 11:19 am  Leave a Comment  

#2.1

O jardim:

For Herbs, Flowers and Friends

8-9m de diâmetro.

As plantas
O meio fica mesmo vazio, ninho para um banco e chão de tomilho, esparramado (libera aroma quando pisado), geometricamente dividido entre Thymus vulgaris (flor branca) e serphylum (flor rosa). O contorno externo é delimitado com sobras de granito e mármore, de cores afins, fincados no chão (grama). Ruído sutil de água. A partir do extremo mais próximo da cozinha: orégano, sálvia erva (officinalis) flor branca (albiflora), sálvia flor (vermelha), artemísia, basílico (folha larga, deixar florir), coentro (alguns floridos), pimenta comari, begônias, gengibre (sempre com algumas plantas bem altas), rosa amarela gigante (planta mais baixa e “encopada” possível), rosa vermelha, talvez púrpura, grande, diametralmente oposta, alho (a.k.a., “the stinking rose”, therefore planted next to its peers) de variedade roxa grande (flor também arroxeada), seguido de alho caipira (pequeno, com flor pequena, branca), camomila (um exagero delas), pimenta malagueta, basílico de folha roxa, begônias roxas, interpolated. Menta, hortelã e alyssum branco, intercasados. Funcho. Quatro ou cinco plantas de tomate cereja em cachos. Lavanda quase em descontrole. No extremo oposto, o maior pé de alecrim do mundo (deixar florir).

O banco
De madeira re-utilizada e/ou sem tratamento, porém ergonômico. Quase 4m. Numa extremidade dois indíviduos sentados (um em pé?), olhando um para o outro (e.g., armações de ferro de manequins antigos, figuras de concreto, quetais), codinomes Paula e Bebeto (qualquer maneira só vale a pena se a alma não for pequena). Lembrança de velhos amigos, quaisquer. Dia ido, quase.

A água
Um relâmpago silencioso no céu dispara outra faísca no cérebro da leitora sob o crepúsculo. Essa água, a despeito das tantas tentativas irracionais de domá-la, continua correndo teimosa… Hum. Aí, uma pequena epifania: será que…? Sim, aproveitando as pedras do leito original da nascente, uma pequena piscina toma forma, dois, tres metros, até a parede da estufa. Sim, uma estufa de vidro, dez metros talvez, com plantas (you don’t say) e bancos e duas cadeiras e pedras e warmth e chão de grama miúda, seixos, madeiras, e…água cruzando toda sua extensão. Euforia de Eureka dura pouco, quando percebe que a construção ficaria perigosamente próxima da sala de estar. Bummer. Humpf. Mas, claro, que todos então se conectem… A estufa funciona como jardim de inverno, duh, com o córrego running right throught it, invadindo a sala, por baixo! Dois metros para dentro e para o fundo, quem sabe: molhar os pés, ficar olhando, tomar banho em meio a flores, ervas e frutas flutuantes, imaginar coisas e… acessar – pela água, by Jove, pela água! – o jardim de ervas sob o imenso sol, do outro lado. Não e não, isso não: trutas não. Não? Sim-quem-sabe, e pronto.
No outro extremo do banco, AA abaixa o livro—pouca luz, equilibra cuidadosamente a taça no encosto (como se a mancha imaginária não deixasse o móvel ainda mais… agradável). Olha mais uma vez para os bonecos. Impossível nessa hora é se isolar dos últimos piados, das flagrâncias, do silêncio imperfeito do vento. Tenta imaginar a mesma cena percebida de dentro da estufa, da sala. O derradeiro belisco de luz, mas ainda é possível ler o último aforisma (sem contexto algum, mas quem se importa) do Tractatus, gravado no assento do banco — 7. What we cannot speak about we must pass over in silence.

A cozinha de fora
Na cozinha além da varanda, enquanto isso: ele murmura consigo tolices desconexas, quase melódicas, enquanto caça lenha mais grossa para fazer crepitar o fogo. (“Bom trabalhar aqui!”) É hora. Saca a descomunal frigideira de ferro, presente da Amélia Adelaide, e a dispõe caprichosamente na boca maior. Esvazia uma enorme taça de Gato Preto enquanto observa as batatinhas descascadas no pequeno caldeirão: excelentes, só entornar a água quente e deixar que sequem ali fora, solitas na peneira. Cantarola para si mesmo “Eleanor Rigby”(sp?), ensaiando um passinho rídiculo enquanto se apodera do litro-e-meio de azeite super-arqui-extra-virgem. Ops. Generosa, quase trapaceira porção de azeite na frigideira já quentinha. Um punhado de alho ligeiramente amassado (com o lado do cutelo). Nossa. Enormes cebolas ferventadas de véspera, agora docinhas, se seguem, precedendo assim os tenríssimos talos de brócolis. A refoga já começa a elicitar aromas ocultos.
Limpa as mãos no avental que ele mesmo confeccionou, yes sir, com o resto da fazenda de algodão que sobrou dos lençóis, cama e cozinha, ê, óóó… Arrisca umas poucas linhas de “Um bel di vendremo”:

… m’ha promesso
di ritornar nella stagion beata
che il petirosso rifà la nidiata…

emulando Callas de ‘57. Ri de si mesmo, insólita e repentina felicidade. Uma espiada na direção do jardim: ela ainda lê, ele ainda tem tempo, mas agitos e fumaças já a teriam alcançado, talvez? Sorri. Percebe o vento, olha para o céu: virá a chuva, em modos de quando as estações se acasalam.
Duas mãozadas de folhas de mostarda, grosseiramente picadas. Epa, azeite nunca se economiza, ensinava mestre Antilóquio, então… Olha a sálvia picadinha, as florescências do alecrim. Misturando com colher de pau, frigideira de 4 toneladas, bounces in the air, pra lá e pra cá. Agora, só as flores cruas do brócolis, um montão delas, vão lá se juntar. Mexe-remexe, remexe-mexe. Sal, um pitadícula de açúcar mascavo. No meio-tempo a pequena panela de ferro foi preenchida com dois dedinhos de pura manteiga, já quaaase quente, hora de jogar as batatinhas, não sem antes amassá-las com os punhos (ri, pela duocentésima vez na vida, de como isso é chamado em Portugal). Roubar um fio, hey, ô, um fio só, sô, da manteiga que frita as batatas. Ah, agora, sim, a hora: várias, muitas fatias, nem assim tão finas, do mais tenro rosbife, são colocadas com na frigideira com os movimentos de quem veste um recém-nascido. Um minuto e… Oooolêpa, meu! Retira tudo do fogo, direto pra mesa de pedra, acrescentando poucas folhas enormes de basílico, inteiríssimas, com um mínimo de estética, pela-mor. As batatolinhas são escorridas com capricho, cada uma enxuta com pano de algodão puríssimo, e trapiscadas com óregano seco, óregano fresco, pimenta calabresa desidratada e, hum, será, um tico de azeite, talvez? Onde estarão os cubinhos de pão-de-queijo torrado? (“Puta meu, esqueci da salada!”)

A fome
Da casa vem um cheiro suave, reminescente, de batata frita, outras coisas. Na varanda uma mesa comprida, sendo posta numa das pontas, para poucas pessoas. Quantas serão… Ela já não consegue ver. Da cozinha quase invisível na penumbra, uma voz rompe o quadro, semrasuras, por entre os barulhos de louça, vidro, talheres: “Está quase. Logo começo a servir.”

A salada (coming soon)

A horta (idem)

O brunch avec trutas (idem, ibidem)

O pomar

O almoço das 3

A mata

O chá da tarde

A última ceia

Published in: on December 7, 2007 at 12:55 pm  Leave a Comment  

#2

#2

Take One
Part One

O jardim:
For Herbs, Flowers and Friends
8-9m de diâmetro.
As plantas: O meio fica mesmo vazio, ninho para um banco e chão de tomilho, esparramado (libera aroma quando pisado), geometricamente dividido entre Thymus vulgaris (flor branca) e serphylum (flor rosa). O contorno externo é delimitado com sobras de granito e mármore, de cores afins, fincados no chão (grama). Ruído sutil de água. A partir do extremo mais próximo da cozinha: orégano, sálvia erva (officinalis) flor branca (albiflora), sálvia flor (vermelha), artemísia, basílico (folha larga, deixar florir), coentro (alguns floridos), pimenta comari, begônias, gengibre (sempre com algumas plantas bem altas), rosa amarela gigante (planta mais baixa e “encopada” possível), rosa vermelha, talvez púrpura, grande, diametralmente oposta, alho (a.k.a., “the stinking rose”, therefore planted next to its peers) de variedade roxa grande (flor também arroxeada), seguido de alho caipira (pequeno, com flor pequena, branca), camomila (um exagero delas), pimenta malagueta, basílico de folha roxa, begônias roxas, interpolated. Menta, hortelã e alyssum branco, intercasados. Funcho. Quatro ou cinco plantas de tomate cereja em cachos. Lavanda quase em descontrole. No extremo oposto, o maior pé de alecrim do mundo (deixar florir).
O banco, de madeira re-utilizada e/ou sem tratamento, porém ergonômico. Quase 4m. Numa extremidade dois indíviduos sentados (um em pé?), olhando um para o outro (e.g., armações de ferro de manequins antigos, figuras de concreto, quetais), codinomes Paula e Bebeto (qualquer maneira só vale a pena se a alma não for pequena). Lembrança de velhos amigos, quaisquer. Dia ido, quase.
Um relâmpago silencioso no céu dispara outra faísca no cérebro da leitora sob o crepúsculo. Essa água, a despeito das tantas tentativas irracionais de domá-la, continua correndo teimosa… Hum. Aí, uma pequena epifania: será que…? Sim, aproveitando as pedras do leito original da nascente, uma pequena piscina toma forma, dois, tres metros, até a parede da estufa. Sim, uma estufa de vidro, dez metros talvez, com plantas (you don’t say) e bancos e duas cadeiras e pedras e warmth e chão de grama miúda, seixos, madeiras, e…água cruzando toda sua extensão. A euforia da Eureka dura pouco, quando percebe que a construção ficaria perigosamente próxima da sala de estar. Bummer. Humpf. Mas, claro, que todos se dêem as mãos, então. A estufa funciona como jardim de inverno, duh, com o córrego running right throught it, invadindo a sala, por baixo! Dois metros para dentro, quem sabe: molhar os pés, ficar olhando, tomar banho, imaginar coisas e… acessar – pela água – o jardim de ervas, do outro lado! Não e não: trutas não. Não?
No outro extremo do banco, AA abaixa o livro—pouca luz, equilibra cuidadosamente a taça no encosto do banco (como se a mancha imaginária não deixasse o móvel ainda mais… agradável). Olha mais uma vez para os bonecos. Impossível é se isolar dos últimos piados, flagrâncias, vento, silêncio. Tentar imaginar a mesma cena percebida de dentro da estufa, da sala. O derradeiro belisco de luz, mas ainda é possível ler o último aforisma (sem contexto algum, mas quem se importa) do Tractatus, gravado no assento do banco — 7. What we cannot speak about we must pass over in silence.
Na cozinha além da varanda, enquanto isso: ele murmura consigo coisas desconexas, quase melódicas, enquanto caça lenha mais grossa para fazer crepitar o fogo. (“Bom trabalhar aqui!”) É hora. Saca a descomunal frigideira de ferro e a dispõe caprichosamente na boca maior. Esvazia uma enorme taça de “Gato Preto” enquanto observa as batatinhas descascadas no pequeno caldeirão: excelentes, só entornar a água quente e deixar que sequem ali fora, de per si. Cantarola para si mesmo “Eleanor Rigby”, ensaiando um passinho rídiculo enquanto se apodera do litro-e-meio de azeite super-arqui-extra-virgem. Ops. Generosa, quase trapaceira porção de azeite na frigideira já quentinha. Um punhado de alho ligeiramente amassado (com o lado do cutelo). Nossa. Enormes cebolas ferventadas de véspera, agora docinhas, se seguem, precedendo assim os tenríssimos talos de brócolis. A refoga já começa a elicitar aromas ocultos.
Limpa as mãos no avental que ele mesmo confeccionou, orgulho, com o resto da fazenda de algodão que sobrou dos lençóis, cama e cozinha, ê, óóó… Arrisca umas poucas linhas de “Um bel di vendremo”:
… m’ha promesso
di ritornar nella stagion beata
che il petirosso rifà la nidiata…
emulando Callas de ‘57. Ri de si mesmo, insólita e repentina felicidade. Uma espiada na direção do jardim: ela ainda lê, ele ainda tem tempo, mas agitos e fumaças já a teriam alcançado, talvez?. Sorri. Percebe o vento, olha para o céu: virá a chuva, em modos de quando as estações se acasalam.
Duas mãozadas de folhas de mostarda, grosseiramente picadas. Epa, azeite nunca se economiza, ensinava mestre Antilóquio, então… Olha a sálvia picadinha, as florescências do alecrim. Misturando com colher de pau, frigideira, 4 toneladas, pra lá e pra cá. Agora, só as flores cruas de mais brócolis, um montão delas, vão lá se juntar. Mexe-mexe, remexe-mexe. Sal, um pitadícula de açúcar mascavo. No meio-tempo a pequena panela de ferro foi preenchida com dois dedinhos de pura manteiga, já quaaase quente, hora de jogar as batatinhas, não sem antes amassá-las com os punhos (ri, pela duocentésima vez na vida, de como isso é chamado em Portugal). Roubar um fio, hey, ô, um fio só, sô, da manteiga das batatas. Ah, agora, sim, a hora: várias, muitas fatias, nem assim tão finas, do mais tenro rosbife, são colocadas com na frigideira com os movimentos de quem veste um recém-nascido. Um minuto e… Oooolêpa, meu! Retira tudo do fogo, direto pra mesa de pedra, acrescentando folhas enormes de basílico, inteiríssimas. As batatolinhas são escorridas com capricho, trapiscadas com óregano seco, óregano fresco, pimenta calabresa desidratada e, hum, será, um tico de azeite, talvez? Onde estarão os cubinhos de pão-de-queijo torrado? (“Puta meu, esqueci da salada!”)
Da casa vem um cheiro suave, reminescente, de batata frita, outras coisas. Na varanda uma mesa comprida, sendo posta numa das pontas, para poucas pessoas. Quantas serão… Ela já não consegue ver. Da cozinha quase invisível na penumbra, uma voz rompe o quadro, sem rasuras, por entre os barulhos de louça, vidro, talheres: “Está quase. Logo começo a servir.”

Take one
Part Two

A salada (coming soon)

Take Two
Part One

A Horta (idem)

Take Three
Part One

The brunch (idem, ibidem)

O pomar

O almoço das 4

A mata

A última ceia

Published in: on December 6, 2007 at 1:47 pm  Leave a Comment  

#1

Take One
Part One
For Herbs, Flowers’n Friends: Os ingredientes

6-8m de diâmetro.

Plantas: O meio fica vazio mesmo, com um banco (depois) e chão de tomilho, esparramado (libera aroma quando pisado), geometricamente dividido entre Thymus vulgaris (flor branca) e serphylum (flor rosa). O contorno externo é delimitado com sobras de granito e mármore, cores afins, fincados no chão (grama). Ruído sutil de água. A partir do extremo mais próximo da cozinha: orégano, sálvia erva (officinalis) flor branca (albiflora), sálvia flor (vermelha), artemísia, basílico (folha larga, deixar florir), coentro (alguns floridos), pimenta comari, begônias, gengibre (sempre com algumas plantas bem altas), rosa amarela gigante (planta mais baixa e “encopada” possível), rosa vermelha, grande, diametralmente oposta, alho (a.k.a., the stinking rose, therefore planted next to its peers), variedade roxa grande (flor também arroxeada), seguido de alho “caipira” (pequeno, com flor pequena, branca), camomila (um exagero delas), pimenta malagueta, basílico de folha roxa, begônias roxas, interpolated. Menta, hortelâ e alyssum branco, intercalados. Funcho. 4 ou 5 plantas de tomate cereja em cachos. Lavanda. No extremo oposto, o maior pé de alecrim possível (deixar florir).

Banco: Madeira re-utilizada e/ou sem tratamento, porém ergonômico. Quase 3m. Numa extremidade dois indíviduos sentados (um em pé?), olhando um para o outro (e.g., armações de ferro de manequins antigos, figuras de concreto, etc), codinomes Paula e Bebeto (qualquer maneira só vale a pena se a alma não for pequena). Lembrança de velhos amigos, quaisquer. Dia ido, quase. No outro extremo do banco, AA baixa o livro—pouca luz, ajeita a taça em cima do banco (como se a mancha ainda imaginária não deixasse o móvel ainda mais agradável). Olha para os bonecos. Impossível não perceber os aromas do pequeno jardim àquela hora. Da varanda da cozinha, onde fica o fogão externo, vem um cheiro suave, prosaico, de batata frita. Na mesma varanda uma mesa comprida, posta numa ponta, para poucas pessoas. Quantas serão… Já não dá pra ver. Últimos piados, aromas, vento resfriado, silêncio. O derradeiro belisco de luz, mas ainda dá pra ler o aforisma número 7 (sem contexto algum, mas quem se importa) do Tractatus—What we cannot speak about we must pass over in silence—gravado no encosto do banco. Da cozinha quase invisível, uma voz rompe o quadro, sem rasuras: – Vem sentar, Ananda. Já vou servir você.

Take one:
Part Two: A disposição (coming soon)

Published in: on December 5, 2007 at 5:56 pm  Comments (2)  
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